O nariz saiu à rua vestido de uniforme, como se fosse um funcionário de alta patente.
Quando o nariz do major Kovaliov ganha vida própria e passa a circular pela cidade vestido com uma farda superior à do seu dono, Gógol leva o absurdo a um nível quase surrealista — décadas antes de Kafka. A piada esconde uma crítica afiada: numa sociedade obcecada por hierarquia, até um nariz pode ter mais status social do que um homem inteiro.